Conceitos sobre Central de Material e Esterilização

    Funcionamento CME

    Conceitos de Microbiologia importantes para a Central de Material e Esterilização (CME)

    No processo de trabalho de uma Central de Material e Esterilização, é importante conhecer a temperatura e as características de crescimento de um microorganismo e conceitos sobre microbiologia, pois é com estas condições que baseiam-se o cultivo nos indicadores biológicos. Estes princípios são essenciais na prevenção de infecções de sítio cirúrgico.

    Os esporos são as formas mais resistentes aos agentes esterilizantes – estágio dormente – esporulação em situações críticas, ocorre desidratação. Os Bacillus são destruídos a 60ºC enquanto seu esporo é destruído a 120ºC. Já na germinação ocorre rehidratação do citoplasma entre 60 a 80ºC.

    A endotoxina é um lipídio liberado com a lise da parede celular, ou seja, restos microbianos. Nem todo método de esterilização inativa as endotoxinas do material – pode causar reações pirogênicas dependendo de alguns fatores do hospedeiro e do microorganismo.

    Os príons são proteínas capazes de modificar outra proteína no tecido nervoso e por isso deve-se ter um cuidado especial para materiais de neurocirurgia. Recomenda-se utilizar o ciclo para príon na autoclave a 134ºC por 18 minutos. Outros conceitos importantes incluem:

    • Biofilme: aderência microbiana, envolto numa matriz extracelular de polissacarídeo as quais aderem em materiais.
    • Limpeza: função de reduzir a carga microbiana (Bioburden), é a remoção da sujidade ou de qualquer corpo indesejável (visível ou não) de uma superfície.
    • Desinfecção: eliminação de microrganismos por processos físicos ou químicos.
    • Descontaminação: remoção de agentes infecciosos de uma superfície inanimada.
    • Esterilização:  utiliza vários processos para destruir toda a forma de vida.
    • Anti sepsia: procedimento que impede a proliferação de microrganismos presentes em tecidos, seja inativando-os ou destruindo-os.
    • Assepsia: conjunto de procedimentos para evitar a infecção durante as intervenções. Engloba esterilização, desinfecção e anti sepsia.
    • Calor úmido: os microorganismos morrem por desnaturação da proteína.
    • Calor seco: os microorganismos morrem por desidratação.

     

    Boas práticas na Central de Material e Esterilização – CME

    Em relação aos instrumentais cirúrgicos,  as múltiplas peças devem ser desmontadas, devendo a limpeza ser iniciada o mais breve possível ou manter material em meio úmido para evitar o ressecamento da matéria orgânica. Realizar a limpeza com fricção mecânica, escova (não abrasiva).  Quanto à estocagem do material esterilizado, armários fechados não são recomendados para armazenamento, bem como ligares que podem se tornar úmidos. No uso das prateleiras, na vertical, evitar o empilhamento. Em relação à validade, atentar quanto a integridade da embalagem.

    Na Central de Material e Esterilização, é importante o controle e qualidade da água utilizada em todos os processos, pois a deposição de sais vindo da água podem levar à corrosão do material. Em relação ao uso do detergente enzimático, este facilita a dissolução de matéria orgânica, sendo importante verificar o tempo de imersão recomendado pelo fabricante. A secagem do material deve ser realizada com tecido macio que não libere fibras. Os colaboradores devem usar luva de látex para evitar a recontaminação dos materiais e auxilia na proteção ocupacional.

    Indicadores na Central de Material e Esterilização – CME

    Os indicadores químicos para validação de processos são classificados em 6 classes. Exemplificamos a de Classe 1 – de processo, fita adesiva zebrada; Classe 2 – Bowie Dick – teste diário que verifica a remoção de ar nas autoclaves com pré vácuo.

    O papel grau cirúrgico tem indicador químico grau 3 impregnado. Já o indicador biológico destaque o de 2ª geração, com leitura em 48h – 37 a 56ºC, mudança de cor pela alteração de ph e o de 3ª geração, interação com enzima, leitura de 1 a 3 horas, usa luz ultravioleta. Ausência de fluorescência indica condições boas.

    No processo de autoclavagem, temos as fases do ciclo: pré vácuo, aquecimento, esterilização, exaustão do vapor e secagem do material. Parâmetros importantíssimos para verificação e controle: temperatura, pressão e tempo. Os pacotes devem sair secos da autoclave e não devem ser transferidos ainda quente para que não haja condensação e umidificação.

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *